Sofia Veiga é Personal Trainer e criou a Chama a Sofia, um projecto que leva o treino ao encontro das pessoas em vez de esperar que sejam elas a ir ao ginásio. Nesta conversa explica como organiza dias com oito a nove treinos, uma equipa de mais de dez personal trainers em Lisboa e Porto, e a gestão que nunca sai da agenda. Fala também do desgaste que a fez adoecer.
Quem é Sofia Veiga
Sofia Veiga é Personal Trainer e criou o projecto Chama a Sofia, hoje com mais de dez personal trainers em Lisboa e Porto. Está ligada ao desporto desde os quatro anos, primeiro na ginástica e mais tarde como atleta federada de andebol. Continua a dar treinos a clientes de longa data.
Chama a Sofia: o treino vai ao encontro do cliente
Para Sofia Veiga, o projecto nasceu de uma constatação simples: as pessoas arranjavam muitas desculpas para não treinar, e a pergunta seguinte foi porque não levar o treino até elas. Começou do zero, há oito anos, numa decisão difícil, e o crescimento foi mais rápido do que esperava. O que era um projecto para trabalhar sozinha passou a exigir recrutamento, formação de equipa e resposta a pedidos fora de Lisboa.
Um dia que não cabe em 24 horas
O dia começa cedo: o treino mais cedo é às sete da manhã, mas houve um ano em que Sofia Veiga acompanhou uma cliente às cinco e meia, três vezes por semana. Seguem-se treinos até cerca de uma e meia da tarde, a pausa do almoço e duas a três horas ao computador com a gestão e as mensagens. A regra que impõe a si própria é não deixar ninguém à espera de resposta mais de 24 horas. Ao fim da tarde voltam os treinos, a partir das quatro, até cerca das sete da noite.
O normal são oito a nove treinos por dia, número que sobe para cerca de onze quando o formato é online. Desse tempo, cerca de 70 por cento continua a ser treino directo e 30 por cento gestão, porque não consegue deixar clientes de longa data.
As ferramentas de quem gere uma equipa
Para Sofia Veiga, o telemóvel é ao mesmo tempo ferramenta e problema: é por ali que responde a mensagens e a correio electrónico, mas é também a fonte de interrupções. Na gestão usa um CRM, o Flow, e uma segunda ferramenta onde distribui as tarefas da equipa e controla o planeamento das redes sociais. É por ali que sabe qual é o personal trainer que está com cada cliente.
Nem tudo é digital. Sofia Veiga tem três cadernos que a acompanham sempre e mantém um quadro branco à frente da secretária com as prioridades. «Gosto muito de um papel e uma caneta. Escrevo muito e é fundamental», diz.
Não é só contar repetições
Para Sofia Veiga, o trabalho de personal trainer está longe de se resumir a montar séries de exercícios. Implica estudar, tirar formações e especializações ao longo dos anos, conhecer o cliente com profundidade e planear para aquele caso concreto. A conversa toca muitas vezes pontos sensíveis, o que exige uma sensibilidade próxima da de um psicólogo e obriga a não prometer o que não se consegue cumprir.
Foi dessa necessidade de resolver obstáculos do próprio trabalho que nasceu um novo projecto, uma aplicação onde o personal trainer possa gerir a sua actividade, incluindo agenda, avaliações e treinos. Na altura da gravação, esperava tê-la disponível em Setembro desse ano.
O erro que lhe custou a saúde
O maior erro que Sofia Veiga identifica na carreira não está no treino, mas na gestão do próprio esforço: não saber parar quando era altura de parar. O último ano numa das estruturas por onde passou foi, nas suas palavras, o pior ano da sua vida. Não por falta de clientes, mas por não se identificar com uma gestão em que as pessoas passaram a valer mais como números do que como pessoas.
O desgaste levou-a a hipertensão e a medicação, até ao dia em que a médica lhe disse que, se continuasse, o risco era um AVC. Deixou o lugar, com o apoio do irmão e de uma amiga, e poucas semanas depois a tensão arterial tinha voltado ao normal. «Foi a melhor coisa que eu fiz na minha vida», afirma.
O que a pandemia mudou
Sobre a pandemia, Sofia Veiga fala de uma quebra geral de cerca de 70 por cento no negócio. A equipa não estava preparada para passar para o online, ao contrário dela, que já treinava clientes fora do país, e perderam-se clientes também porque não foi explicado o que era possível fazer à distância. A resposta não foi copiar o que os outros faziam: foi melhorar o que já tinha e criar dinâmicas visuais diferentes, para não ser apenas mais uma videochamada.
O que fica desta conversa
- Sofia Veiga mantém cerca de 70 por cento do dia em treino directo e o resto em gestão.
- Uma regra simples, como responder em 24 horas, evita que a caixa de entrada passe a governar a agenda.
- Ferramentas digitais respondem pelo controlo da equipa, mas o papel e a caneta continuam a suportar o planeamento.
- Trabalhar com paixão não é o mesmo que trabalhar sem parar: adoeceu antes de saber parar.
- Sete horas de sono com hora fixa de deitar e um dia semanal sem trabalho são regras que criou para si mesma.
Perguntas frequentes
Como é o dia a dia de uma personal trainer com negócio próprio?
O dia começa com treinos desde as sete da manhã até cerca de uma e meia da tarde, seguidos de duas a três horas de gestão ao computador e de novos treinos a partir das quatro. São oito a nove por dia.
Que ferramentas usa a Chama a Sofia para gerir a equipa?
Sofia Veiga usa um CRM, o Flow, e uma segunda ferramenta para distribuir tarefas e controlar o planeamento das redes sociais. Ao lado disso, mantém três cadernos e um quadro branco com as prioridades.
Qual foi o maior erro de Sofia Veiga na carreira?
Não saber parar quando era altura de parar. O ritmo e a insatisfação com a forma como a estrutura era gerida levaram-na a hipertensão e medicação, até a médica a avisar do risco de um AVC. Deixar esse lugar foi, diz, a melhor decisão que tomou.
Como é que a pandemia afectou o negócio da Chama a Sofia?
Sofia Veiga fala de uma quebra geral de cerca de 70 por cento. A equipa não estava preparada para o formato online e alguns clientes saíram porque não lhes foi explicado o que era possível fazer à distância.
Fontes
- Podcast “EP08 – Produtividade do Personal Trainer com Sofia Veiga”, FULL FILL, Janeiro de 2021 — no início deste artigo.
- Imagem: cartão do episódio, FULL FILL.
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