Cristina Mota Capitão é co-fundadora da Generosa e é a convidada do 12.º episódio do podcast Produtividade Consciente. Nesta conversa, explica porque é que as plantas de interior deixaram de ser um simples elemento decorativo para passarem a ser parte activa do bem-estar de quem trabalha — e, por consequência, da sua produtividade. Fala-se de biofilia, de rotinas de trabalho, de ferramentas digitais e de dicas para quem nunca teve uma planta em casa.

Quem é Cristina Mota Capitão

Cristina Mota Capitão é co-fundadora da Generosa. É agrónoma de formação e trabalhou cerca de dez anos numa estrutura de apoio à inovação e ao empreendedorismo no sector agroalimentar, ligada à universidade. A Generosa nasceu em 2018, dedica-se à venda de plantas e mantém acompanhamento de pós-venda junto de quem compra.

Da agronomia ao empreendedorismo

Para Cristina Mota Capitão, o percurso até à Generosa começou na agronomia, com especial interesse pelas doenças das plantas, e passou por um laboratório de histopatologia antes da estrutura de apoio à inovação e ao empreendedorismo no sector agroalimentar, onde ficou cerca de dez anos. Foi aí, ao acompanhar projectos de empresas desde muito cedo, que ganhou gosto pelo empreendedorismo.

A Generosa foi criada em 2018 com a sua sócia, também agrónoma. Para Cristina, o negócio tem de ser ágil: quando uma empresa começa, uma só pessoa faz vendas, marketing, finanças, logística e tudo o resto. Hoje a sua atenção está no marketing, na relação com fornecedores e na logística das encomendas.

Ferramentas e rotinas de um negócio pequeno

Cristina Mota Capitão explica que a equipa usa serviços que mantêm conteúdos, ficheiros e calendário em Cloud, acessíveis a partir de qualquer lugar e partilhados por todos, e que usa ferramentas de calendarização para organizar a publicação de conteúdos. O apoio ao cliente, que a Generosa chama de clube Generosa, passa por dicas e esclarecimento de dúvidas, sobretudo através de WhatsApp.

A mesa de trabalho também entrou na conversa: tem plantas — catorze no momento da gravação —, uma vela, uma coluna para ouvir música e um copo de água ou um termo. Cristina diz que não é extremista da mesa totalmente arrumada, porque alguns objectos fazem companhia. Muitas das plantas que estão por perto são experiências, para perceber quais se dão melhor com mais ou menos luz e rega.

O que a biofilia diz sobre plantas e produtividade

Para Cristina Mota Capitão, as plantas de interior tiveram ciclos de popularidade: um ligado à estética, na época vitoriana, e outro nos anos 80, quando a arquitectura criou edifícios mais estanques e a qualidade do ar se tornou uma preocupação. Foi nesse contexto que se começou a estudar o contributo das plantas, com um estudo conhecido da NASA.

A convidada apresenta a teoria da biofilia como fundamento deste interesse: ao longo da evolução, a espécie humana desenvolveu-se em contacto com a natureza, e os ambientes artificiais, o ruído e o movimento das cidades fazem com que o corpo reaja como se estivesse em alerta. Daí, defende, o stress, a dificuldade de concentração e a perda de criatividade em ambiente urbano. Menciona ainda os passeios em florestas, prática estudada no Japão, com efeitos positivos no stress e na saúde mental, e exemplos actuais, como o jardim interior criado para quem recebe tratamentos de quimioterapia. Ainda assim, pede ponderação: muitos destes estudos são de laboratório e não devem ser lidos de forma fundamentalista.

Há também a quantidade. Cristina refere um estudo de um consórcio de universidades na Austrália, virado para o bem-estar, segundo o qual uma planta já faz diferença, mas muitas fazem muito mais diferença.

Dicas práticas para quem está a começar

Para quem nunca teve plantas, o conselho de Cristina Mota Capitão é simples: começar por poucas e pelas mais fáceis. Estas plantas precisam de menos regas, toleram esquecimentos, são menos sujeitas a pragas e doenças e crescem mais devagar, o que reduz a manutenção. A ideia que resume as dicas é «começar por poucas e começar pelas mais fáceis».

Outro ponto central é criar relação com a planta: conhecê-la, dar-lhe um nome e perceber do que gosta, em vez de a tratar como objecto decorativo. É o mesmo tipo de vínculo que se cria com um animal de companhia.

Na prática, Cristina lembra os factores que determinam o bem-estar das plantas de interior, que vêm de zonas tropicais e subtropicais: luz indirecta ou filtrada, porque na natureza vivem debaixo das copas das árvores; temperatura amena; e humidade relativa, que em Portugal é mais baixa e por isso é o factor mais difícil de replicar. Agrupar plantas, colocar recipientes com água junto delas ou usar um humidificador ajuda a criar esse microclima.

O que fica desta conversa

  • Comece por poucas plantas e pelas mais fáceis: menos regas, menos pragas, maior tolerância a esquecimentos.
  • Trate a planta como um ser vivo a conhecer, não como um objecto decorativo; criar relação é meio caminho andado para ela sobreviver.
  • Garanta luz indirecta e temperatura amena; a humidade relativa é o factor mais difícil de replicar em casa e melhora agrupando plantas ou com um humidificador.
  • Não vale a pena preocupar-se com o mito do oxigénio consumido durante a noite: o balanço de ter plantas em casa é positivo.
  • Quantidade conta: uma planta já faz diferença, mas várias fazem muito mais diferença no bem-estar.
  • Num negócio pequeno, apoiar-se em ferramentas simples, em Cloud e partilhadas liberta tempo para o que interessa.

Perguntas frequentes

As plantas em casa consomem o oxigénio do quarto durante a noite?

Não de forma relevante, segundo Cristina Mota Capitão. As plantas fazem fotossíntese durante o dia e respiram à noite, mas o consumo é muito inferior ao de uma pessoa ou de um animal a dormir. Algumas espécies têm um mecanismo de fotossíntese adaptado que produz oxigénio durante a noite.

Quantas plantas são necessárias para sentir benefícios na produtividade?

Uma planta já faz diferença, mas muitas fazem muito mais diferença. Cristina Mota Capitão cita um estudo de um consórcio de universidades na Austrália, virado para o bem-estar, que aponta nesse sentido. Ainda assim, aconselha uma introdução gradual.

Que plantas escolher para quem nunca teve plantas em casa?

A recomendação é começar pelas mais fáceis: plantas que precisam de menos regas, toleram esquecimentos, são menos sujeitas a pragas e crescem mais devagar. A Generosa indica várias opções deste tipo de plantas de interior. A ideia é ir introduzindo outras à medida que se ganha confiança com cada planta.

Porque é que a maioria das plantas de interior não tem flor?

Cristina Mota Capitão explica que a indústria se orientou para espécies com pouca ou nenhuma flor, porque a flor é o elemento mais alergénico das plantas. Além disso, muitas espécies tropicais usam a folhagem como principal atractivo e só florescem no exterior.

Fontes

  • Podcast “EP12 – Plantas na Produtividade com Cristina Mota Capitão”, FULL FILL, Março de 2021 — no início deste artigo.
  • Imagem: cartão do episódio, FULL FILL.

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