Liderar uma equipa em fases de incerteza exige clareza mental, equilíbrio emocional, fortaleza e visão. Este artigo explica por que o vídeo apresenta a autocompaixão como a capacidade de base para tudo isso, o que ela desenvolve em quem lidera e como treiná-la no dia a dia. Não se trata de ser brando consigo mesmo: trata-se de se tratar como trataria um colega a enfrentar um desafio.
Porque é que a autocompaixão é o segredo da liderança em fases difíceis
Em tempos de incerteza, dúvida e perturbação, são precisas clareza mental, equilíbrio emocional, fortaleza e visão para ultrapassar os desafios. Estas habilidades só podem ser trabalhadas se existir uma capacidade-chave: a autocompaixão. É ela que sustenta todas as outras, e é por isso que o vídeo a apresenta como o segredo da liderança para as fases desafiantes.
Tratar-se como trataria um colega em apuros
Ter compaixão por si próprio significa ter uma perspectiva de si mesmo e tratar-se tal como trataria um amigo ou um colega que estivesse a enfrentar um contratempo. É uma habilidade aparentemente simples e surpreendentemente difícil para muitas pessoas. Uma das razões é o receio: a autocompaixão é muitas vezes vista como uma forma de ser demasiado brando consigo mesmo, e daí vem o medo de aumentar a complacência e a indisciplina. No entanto, a autocompaixão é a base para a resiliência e contribui muito para o desenvolvimento da coragem. Quando assume uma atitude construtiva em relação aos seus esforços, a sua capacidade de enfrentar desafios imprevistos aumenta — e torna-se inevitavelmente um líder melhor.
Os três elementos da autocompaixão
Segundo a investigadora da área citada no vídeo, a autocompaixão é composta por três elementos-chave: a bondade própria, a humanidade comum e a atenção plena. São três conceitos para pôr em prática consigo mesmo, no seu dia a dia, e é por eles que passa o treino desta capacidade.
O que a autocompaixão desenvolve em quem lidera
Trabalhar esta compaixão contribui para desenvolver muitas outras capacidades de apoio à liderança:
- Inteligência emocional. Estudos indicam que as pessoas que trabalham a autocompaixão têm níveis mais elevados de inteligência emocional: são mais calmas perante desafios e imprevistos e tendem a sentir mais felicidade e optimismo na sua vida.
- Resiliência. Os estudos da mesma investigadora mostram que quem pratica autocompaixão tem padrões de resiliência semelhantes aos de quem não pratica, mas tem menos probabilidade de ser improdutivo consigo próprio quando não atinge os objectivos.
- Mentalidade de crescimento. Estas pessoas são mais orientadas para o crescimento pessoal em vez de evitar desafios e mais propensas a formular planos específicos para alcançar os seus objectivos.
- Integridade. Existe uma forte ligação entre a autocompaixão, a consciência e a responsabilidade, o que ajuda os líderes a agir com moral e com responsabilidade mesmo quando é necessário tomar decisões mais difíceis.
- Compaixão pelos outros. Segundo uma professora de psicologia da Universidade da Califórnia em Berkeley citada no vídeo, quem vive a autocompaixão no dia a dia está mais preparado para sentir compaixão pelos outros e cria uma imagem de maior confiança junto de quem o rodeia.
Comece pelos 60 segundos de atenção plena
O treino começa pelo elemento mais simples de praticar: a atenção plena. Reservar 60 segundos do dia é tudo o que é preciso para começar. Feche os olhos e foque a atenção na respiração, nos movimentos que o corpo faz enquanto respira, nas emoções que está a sentir e nos pensamentos que vão surgindo, mantendo a consciência no momento presente. Pode pedir este exercício a si mesmo as vezes que quiser ao longo do dia e aumentar os 60 segundos para um, dois, cinco ou dez minutos, conforme sentir necessário.
Humanidade comum e bondade própria
A humanidade comum é a consciência de que todas as pessoas sentem dificuldades e desafios — e isso inclui os outros líderes de equipa. Reconhecer que não está sozinho aumenta o bem-estar, o sentimento de ligação às pessoas e a consciência do impacto que as suas acções têm na vida dos outros, algo essencial num bom líder. A bondade própria é a vontade que tem para consigo: tratar-se bem, ser gentil consigo mesmo e aceitar e trabalhar as suas fragilidades, o que é essencial para manter a motivação. Quando se apanhar a ser demasiado duro, rígido ou pouco gentil consigo, pare e peça desculpa a si mesmo, e procure uma forma positiva de encarar e resolver a situação. Há duas ferramentas que ajudam neste treino: as meditações guiadas de compaixão e a escrita — registar por escrito os seus fracassos e as suas vitórias.
Perguntas frequentes
O que é a autocompaixão?
É ter compaixão por si próprio: olhar para si e tratar-se tal como trataria um amigo ou um colega que estivesse a enfrentar um contratempo. Segundo o vídeo, é a base da resiliência e a capacidade-chave para liderar em fases de incerteza.
A autocompaixão torna um líder mais complacente?
Não. Esse é o receio mais comum, porque a autocompaixão é muitas vezes vista como brandura a mais consigo mesmo. O vídeo lembra que ela é a base da resiliência e da coragem, e que uma atitude construtiva em relação aos seus esforços aumenta a capacidade de enfrentar desafios.
Quais são os três elementos da autocompaixão?
Segundo a investigadora citada no vídeo, são a bondade própria, a humanidade comum e a atenção plena. São três conceitos para praticar consigo mesmo no dia a dia, e é deles que depende o treino desta capacidade.
Como treinar a autocompaixão em 60 segundos?
Reserve 60 segundos do dia para parar e apenas respirar: feche os olhos e mantenha a atenção na respiração, nos movimentos do corpo, nas emoções e nos pensamentos que surgem, sem sair do momento presente. Pode repetir o exercício e aumentar o tempo.
Fontes
- Vídeo “Compaixão na Liderança – Liderança Consciente Ep.3”, FULL FILL, Março de 2021 — no início deste artigo.
- Foto: LinkedIn Sales Solutions no Unsplash.
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