A preguiça costuma servir de explicação para o que ficou por fazer, mas raramente é a causa real do que se passa. Este artigo acompanha o vídeo sobre a origem da preguiça e mostra porque é que ela quase nunca é o problema: na maior parte dos casos, o que existe é falta de motivação, objectivos mal definidos, cansaço, sobrecarga ou distracções.
O que se chama preguiça (e porque nos engana)
A preguiça é definida como aversão ao trabalho ou estado de prostração de causa orgânica ou psíquica. O problema é que o conceito se confunde facilmente com a sensação de não estar a ser produtivo ou de que se podia estar a fazer mais — mesmo quando já se faz muito mais do que se consegue suportar.
O vídeo fala do mito da preguiça, que tem como princípio usar o trabalho como uma espécie de refúgio e solução para todos os problemas. Com medo de falhar ou de decepcionar os outros, vamos mascarando o cansaço, o esgotamento e a sobrecarga, e passamos a chamar preguiça a esse estado.
Falta de motivação e objectivos mal definidos
A primeira causa é a mais comum e está ligada à motivação e aos objectivos. Sem um objectivo definido, dificilmente se cumprem as tarefas, e isso transforma-se numa bola de neve: trabalha-se pouco porque não se sente motivado, e a falta de resultados retira ainda mais motivação, até se instalar a sensação de incapacidade.
Para evitar este ciclo, é importante perceber o propósito e estabelecer pequenos objectivos que sejam realmente relevantes. Sem pensar de forma prática no porquê, é fácil tornar-se preguiçoso e não cumprir o que se propõe.
Cansaço, sobrecarga e expectativas
Há uma diferença clara entre a sensação de cansaço e a preguiça. Quando se está sobrecarregado e esgotado, é frequente confundir esse estado com fracasso e concluir que, apesar de tudo o que se faz, se é um bocadinho preguiçoso. O vídeo recomenda ouvir o corpo. Dá ainda o exemplo de um estudante universitário que atravessava um episódio depressivo grave e se considerava preguiçoso: a preguiça estava a disfarçar uma causa muito diferente.
Ajuda também gerir bem as expectativas ao planear, distinguindo o que de facto se consegue do que se gostaria de fazer um dia. Se sente que não está a fazer o suficiente, experimente retirar uma tarefa da sua rotina: provavelmente acaba o dia com a sensação de ter cumprido os objectivos e mais motivado para o dia seguinte.
Distracções, pausas e o tempo real de atenção
Segundo investigadores citados no vídeo, em média o trabalhador só consegue concentrar-se nas tarefas cerca de 3 a 4 horas por dia. O resto do dia é gasto em pequenas pausas para socializar, reorganizar metas e no tempo passado no e-mail pessoal e nas redes sociais durante o horário de trabalho.
Essa prática costumava ser apresentada como algo negativo, associado à procrastinação. No entanto, refere o vídeo, algumas pesquisas mais recentes sugerem que um certo grau destas pausas pode ser benéfico: ajudam a reorganizar as tarefas, tornando o restante tempo produtivo, e ajudam a lidar com o stress no local de trabalho. O problema surge quando as redes sociais consomem demasiado tempo. Nesse caso, a estratégia é desligar as fontes de distracção durante um período determinado, concentrar-se na tarefa concreta e usar a pausa seguinte como recompensa pela sua conclusão, moderando de forma consciente o tempo gasto sem se isolar completamente.
A verdadeira causa está muitas vezes escondida
Na maioria dos casos, a preguiça tem uma razão por trás e é usada como desculpa para evitar o verdadeiro problema: um medo, a sensação de estar doente, de não ter energia ou de não ter inspiração para aquela tarefa.
O vídeo propõe recuar um pouco e analisar a situação, procurando identificar a causa real. Se são os colegas que distraem, procure um local mais tranquilo; se são muitas as tarefas, agrupe-as e trate um grupo de cada vez. Dá também o exemplo de alguém que nunca dizia não aos pais, muito exigentes, e que passou a mentir dizendo que estava demasiado ocupado com o trabalho para não ter de falar com eles: o trabalho tornou-se a única razão válida para dizer não. A alternativa é aprender a aceitar os sentimentos e as emoções, ser sincero quando não tem vontade de fazer algo e perceber que não ter vontade faz parte, sem vergonha. Ouvir o corpo e a mente e aprender a dizer não.
Perguntas frequentes
A preguiça existe mesmo?
Segundo o vídeo, o que se chama preguiça raramente é aversão ao trabalho. Na maioria dos casos há uma razão por trás: falta de motivação, objectivos mal definidos, cansaço, sobrecarga, distracções ou uma causa que ainda não foi identificada.
Qual é a diferença entre cansaço e preguiça?
Quando se está sobrecarregado e esgotado, é comum confundir esse estado com fracasso e concluir que se é preguiçoso. O vídeo recomenda ouvir o corpo: o cansaço pede descanso, enquanto a preguiça aponta para outra causa, frequentemente escondida.
Quantas horas por dia consegue concentrar-se realmente?
Segundo investigadores citados no vídeo, em média o trabalhador só se concentra nas tarefas cerca de 3 a 4 horas por dia. O tempo restante é gasto em pequenas pausas para socializar, reorganizar metas e no tempo passado no e-mail pessoal e nas redes sociais.
As pausas nas redes sociais durante o trabalho são sempre negativas?
Não. O vídeo refere pesquisas recentes que sugerem que um certo grau destas pausas pode ser benéfico: ajudam a reorganizar tarefas, tornam o tempo restante mais produtivo e ajudam a lidar com o stress. O problema surge quando consomem demasiado tempo.
Fontes
- Vídeo “A preguiça não existe – Dicas Rápidas de Produtividade Ep. 30”, FULL FILL, Setembro de 2022 — no início deste artigo.
- Foto: iam_os no Unsplash.
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