Paulo de Carvalho é Joy Ambassador na Joy Academy e é o primeiro convidado do podcast Produtividade Consciente. Nesta conversa, fala do seu percurso como empreendedor e facilitador, das rotinas que sustentam os seus dias e das ferramentas que usa para se organizar. O fio condutor é a produtividade como prática consciente: menos tarefas feitas a correr, mais atenção ao que está a ser feito.
Quem é Paulo de Carvalho
Paulo de Carvalho é Joy Ambassador na Joy Academy e trabalha como empreendedor e facilitador de processos de transformação dentro de organizações. Faz também parte de projectos ligados à economia regenerativa, onde procura instrumentos que desafiem os pressupostos económicos actuais. Ao longo deste episódio, conta como concilia a vida familiar, a facilitação e a gestão de vários projectos em curso.
Uma missão que atravessa o trabalho
Para Paulo de Carvalho, existe um desafio que se sobrepõe a todos os outros: não sermos a geração que deixa um mundo pior aos seus filhos. É essa preocupação que o levou, depois de vinte anos no mundo das telecomunicações, a procurar formas de ajudar as organizações a transformarem-se. O objectivo, diz, é desenvolver projectos com potencial transformador, capazes de responder aos desafios reais de cada organização — caso contrário, admite, não vale a pena avançar.
Escassez, abundância e os indicadores que usamos
O convidado defende que a economia actual foi construída em torno da escassez e de um conjunto de pressupostos que a tornam destrutiva a várias escalas. Para ele, o desafio é inverter essa lógica e criar mecanismos que distribuam abundância por todos e que financiem projectos regenerativos, aqueles que melhoram a relação com a natureza e com a comunidade. Aponta ainda o PIB como principal indicador económico do país e considera que a mudança passa por repensar aquilo que se mede.
A manhã como âncora do dia
A rotina matinal de Paulo de Carvalho começa na logística familiar, com os filhos e a escola, e é vivida como uma tarefa meditativa. Ao longo da manhã, procura ir observando como se sente e como está a respirar, e reserva espaço para meditações mais longas em alguns dias da semana. A corrida, duas a três vezes por semana, é outra das âncoras. No plano do trabalho, faz um exercício de início de semana: define o que gostaria de ter resolvido até ao fim da semana e usa essa expectativa como referência, ajustando depois o dia a dia.
Os 20% do tempo que decidem o resultado
Uma das ideias centrais desta conversa é que apenas uma parte pequena do tempo é verdadeiramente produtiva. A solução que o convidado descreve não passa por fazer mais, mas por reconhecer o momento em que algo deixou de resultar e parar: pega na guitarra ou no piano, deixa a mente seguir o seu caminho e regressa com clareza sobre o que tem de ser feito. Para ele, as pausas não roubam tempo ao trabalho — devolvem energia para o executar depressa.
O caderno, a colaboração e o registo do que se faz
Entre as ferramentas, o caderno continua a ser o elemento central: para Paulo de Carvalho, “o caderno é imbatível”. Escrever à mão ajuda a organizar ideias antes de começar qualquer tarefa e serve de apoio ao desenho de sessões de trabalho. Experimenta também cadernos digitais, mas usa poucas aplicações pessoais no dia a dia. Nas ferramentas colaborativas, destaca práticas como deixar comentários a si próprio num documento para não deixar ideias penduradas, fazer anotações durante as reuniões — o que, garante, aumenta a produtividade das mesmas — e o exercício de dizer em voz alta, perante o colectivo, o que cada um tem para fazer, para depois se poder responder com clareza ao que ficou feito na semana. Usa ainda ferramentas de gestão de projectos, que reconhece terem prós e contras.
Feedback, erros e o que fica por conversar
Quando recebe feedback, o melhor conselho que já lhe deram foi simples: “cala-te e ouve”. Para ele, o julgamento imediato sobre aquilo que se ouve é irrelevante; o que conta é perceber de onde vem o contributo e o que se pode mudar. A propósito de erros, recorda a época em que era administrador de sistemas numa operadora de telecomunicações e derrubou, por uma falha de principiante, um sistema de backoffice, tendo trabalhado dias seguidos para o recuperar. Assumiu o erro de imediato e guarda desse período a ideia de que quem erra uma vez e aprende passa a ter mais valor. Questionado sobre que profissão gostaria de ouvir a seguir no podcast, menciona os artistas — músicos, bailarinos, actores — por lidarem melhor com o desconhecido.
O que fica desta conversa
- A produtividade não se mede pelo número de tarefas: mede-se pela atenção dedicada a cada uma.
- Quando algo deixa de resultar, parar é mais eficaz do que insistir — a pausa devolve energia e clareza.
- As rotinas matinais, a corrida e a meditação funcionam como âncoras que sustentam o resto do dia.
- O caderno em papel continua a ser a base da organização pessoal; as aplicações digitais vêm depois.
- Registar o que se faz, em reuniões e em contexto colectivo, torna o trabalho mais claro e mais rápido.
- Perante feedback, ouvir antes de julgar; perante um erro, assumi-lo depressa e aprender com ele.
Perguntas frequentes
O que é produtividade consciente?
É uma forma de trabalhar que valoriza a atenção ao que se está a fazer em vez do volume de tarefas concluídas. Neste episódio, Paulo de Carvalho explica que só uma parte pequena do tempo é verdadeiramente produtiva e que reconhecer isso muda a forma de planear.
Que ferramentas usa Paulo de Carvalho para se organizar?
O caderno é a ferramenta central, segundo o próprio convidado. A ele junta poucas aplicações pessoais, ferramentas colaborativas para comentários e anotações, ferramentas de gestão de projectos e práticas colectivas como dizer em voz alta o que cada um tem para fazer.
Como recuperar energia durante um dia de trabalho intenso?
Paulo de Carvalho descreve três caminhos: correr, tocar piano ou guitarra de forma espontânea, e simplesmente parar quando uma tarefa deixa de avançar. A corrida permite ainda deixar a mente seguir o seu caminho e perceber o que a está a ocupar.
O que mudou na pandemia para quem trabalha em projectos?
O convidado refere que passou a sentir falta das conversas de almoço e dos espaços colectivos. A facilitação, que faz habitualmente em grupo e presencialmente, teve de ser adaptada ao formato online, com dificuldades acrescidas no trabalho com organizações.
Fontes
- Podcast “EP01 – Produtividade e Empreendedorismo com Paulo de Carvalho”, FULL FILL, Novembro de 2020 — no início deste artigo.
- Imagem: cartão do episódio, FULL FILL.
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